quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Refúgio

Refugio-me no silêncio das lágrimas enxugadas... O quente das memórias de um passado não me permite destravar a língua em palavras de quimeras. Cansaço, resta-me nas mãos de tantas tentativas de crer que em cada verso trocado, perfume ousado, pensamento sintonizado, declarar enfim que encontraria o meu porto seguro... Vagueando, vagabunda de essências ilusórias, deixo-me levar pelos rastilhos dos sonhos que me permito contagiar por inconfessados desejos de reflexo...amar-me muito eis a questão... Depois por vezes a vida acontece mais rápido e os dias parecem ter menos horas que o costume quando em tempos me embalava no entediamento dos nadas que me vestem... Parece que ando sempre a saltar em 'bakstages' de diferentes peças onde não consigo assumir em pleno a personagem que sonho ser... Distraio-me com dificuldade pela falta de identificação, que mais do que aprovação é o que a dita maturidade me trouxe como destino... Resultados tenho...a cada dia menos medo tenho de encontrar as paredes vazias que habitam o que chamo casa, a falta de vozes e risos que perspectivo quando me lanço em poemas de amor... E transformo-me em silêncio e tempos... Os compassos em que danço as quietudes com me apaziguo dentro do sistema complexo dos meus medos e anseios... Tenho alturas em que penso que devo estar a cegar, pela falta de sentir a luz que me ilumine nem que seja aquele mais recôndito dos meus sentidos e me faça escrever por fim, de novo a minha essência, sangue de veias entupidas de tempos que não são reais... Parar de pensar não posso, ninguém o é capaz... Embrulho-me em papéis de fantasia, sorrisos que ofereço pela evidência do contágio que me dará uma visão menos ocre dos fotogramas diários das vivências... Mergulho dentro de mim e é aí que me encanta e cativa a quase ausência de ar e ruído que me dá a tal sensação de paz perto da inexistência... Parágrafo...

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