Sente que tenho a boca cerrada
os lábios pregados num jeito de atado
sustendo a verdade à muito encontrada
escondendo o tesouro de todos guardado
Sente que tenho nas mãos teu olhar
que me inquieta, entontece, me deixa perdida
o lago mais doce em que eu fui mergulhar
e encontrar os milagres de uma era esquecida
Sente que tenho no meu corpo a tremura
de vencer a lei que teimam desenhar
a matéria não é feita de carne nem cura
o meu sangue evapora em cada beijar
Sente o que eu sou e por mais não te minto
que a loucura levou-me para céus de cetim
e todas as dores e cores com que pinto
são a tela mais bela de ti e de mim
Sente que o tempo deixou de existir
que a magia afinal não é só ilusão
e que toda a minh'alma e mais meu sentir
não cabem jamais na palavra paixão...
Sente... (poema publicado em Livro - Arquivo na Bliblioteca da Casa de Fernando Pessoa)
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