Escorria assim, pinguejando como um relógio isolado sem tempo ou de tempo etéreo na perseverança dos sentidos...os olhos baços seguravam a imagem da cinza a envolver os toscos modelos de madeira que se consumiam na ardência do desejo...
'É inútil', pensava, enquanto beberricava o chá amarelecido das camomilas tranquilas do fim de tarde de inverno, naquela sala aconchegada com presença ímpar, mas sentindo-se toda ela um só pensamento.
'Não posso mais continuar a fingir que não sinto', concluia acalentada pelo lume que lhe braseava as pernas...'mas afinal o que fazemos quando não podemos fazer mais nada?'...
E a água continuava como orquestra de fundo lembrando a presença do elemento de passagem eterno, a metamorfose contínua do viver...serenava...às vezes é bom saber que tudo se alivia...
'Até quando, até quando vou conseguir segurar a presença do teu aroma e evitar que o teu beijo seja o veneno tatuado no meu sangue? Até quando vou suster esta vontade de te ter pousado em mim como uma brisa sussurrada mas que me abala as estruturas como um tornado devastando tudo dentro do meu corpo, da minha alma e do meu pensamento? Até quando vou deixar que a descrença não me vença, e que o ciúme não me domine e que as balas de prata fiquem guardadas ao invés de serem engatilhadas subtilmente em algumas das palavras que te atiro? Até quando vou resisitr à tua permanente ausência, aos intervalos a que me instigo, vil resistência que até casta e fiel me torno'...farejo o amor em cada poro e resvalo por mim abandonando-me à prostração dos devaneios e olho pela janela...
À minha frente uma janela...através dela suspeitos aromas de eucalipto que adensam o entardecer na estalagem de romances...ali me rendo ao enternecimento e entorpecimento do meu interno dilema...
A meu lado, o crepitar da lareira que me zumbe que a paixão é um fogo que respiro...ao meu redor, a melodia da água que me assegura que o sentir não passa de uma corrente de rio e que como todos os rios, também este partirá para sempre, ao encontro do mar do nunca....
'É inútil', pensava, enquanto beberricava o chá amarelecido das camomilas tranquilas do fim de tarde de inverno, naquela sala aconchegada com presença ímpar, mas sentindo-se toda ela um só pensamento.
'Não posso mais continuar a fingir que não sinto', concluia acalentada pelo lume que lhe braseava as pernas...'mas afinal o que fazemos quando não podemos fazer mais nada?'...
E a água continuava como orquestra de fundo lembrando a presença do elemento de passagem eterno, a metamorfose contínua do viver...serenava...às vezes é bom saber que tudo se alivia...
'Até quando, até quando vou conseguir segurar a presença do teu aroma e evitar que o teu beijo seja o veneno tatuado no meu sangue? Até quando vou suster esta vontade de te ter pousado em mim como uma brisa sussurrada mas que me abala as estruturas como um tornado devastando tudo dentro do meu corpo, da minha alma e do meu pensamento? Até quando vou deixar que a descrença não me vença, e que o ciúme não me domine e que as balas de prata fiquem guardadas ao invés de serem engatilhadas subtilmente em algumas das palavras que te atiro? Até quando vou resisitr à tua permanente ausência, aos intervalos a que me instigo, vil resistência que até casta e fiel me torno'...farejo o amor em cada poro e resvalo por mim abandonando-me à prostração dos devaneios e olho pela janela...
À minha frente uma janela...através dela suspeitos aromas de eucalipto que adensam o entardecer na estalagem de romances...ali me rendo ao enternecimento e entorpecimento do meu interno dilema...
A meu lado, o crepitar da lareira que me zumbe que a paixão é um fogo que respiro...ao meu redor, a melodia da água que me assegura que o sentir não passa de uma corrente de rio e que como todos os rios, também este partirá para sempre, ao encontro do mar do nunca....